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Campanha pela redução de acidentes de trânsito ganha força em evento.

O número de vítimas e mortes no trânsito brasileiro é assustador - 37 mil fatalidades por ano e 120 mil feridos internados ao ano, de acordo com o Ministério da Saúde. Nos próximos quatro anos, que é o período correspondente ao mandato dos próximos governantes, 150 mil pessoas poderão morrer em virtude da violência no trânsito, e quase 500 mil serão vítimas hospitalizadas, se mantida a atual situação. Sendo que o impacto econômico dessas tragédias pode chegar a R$ 140 bilhões.

Diante dos números alarmantes, a Fundação Getúlio Vargas (FGV e o movimento Chega de Acidentes! realizaram nesta quarta (17/11), o lançamento da Década de Ações para a Segurança Viária no Brasil – Marco Zero. O evento, no auditório da FGV, foi o ponto de partida para o acompanhamento das decisões e ações para a década (período de 2011 a 2020) proclamada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

“A expectativa é que em março de 2011 todos os governos tornem público um plano de segurança viária”, comentou na apresentação o representante do Ministério da Saúde, Otaliba Libanio Neto. De acordo com as recomendações da ONU, os planos dos governos devem ter metas ambiciosas e factíveis de redução de acidentes.

Além de Libanio Neto, outros convidados apontaram como caminho para reverter as estatísticas a ação conjunta de governos e sociedade civil. “O número cairá drasticamente se for meta de governos e sociedade. Temos que exigir isso, pois um dos itens para viver melhor é trânsito mais seguro”, afirmou Ailton Brasiliense, presidente da Associação Nacional dos Transportes Públicos.

O presidente do Conselho Nacional de Trânsito, Alfredo Peres da Silva, disse que recursos para políticas públicas existem, dos fundos nacional e municipais de trânsito, “mas não estão retornando para o setor e as consequências aparecem nas estatísticas”.

Já Mauricio Broinizi, da Rede Nossa São Paulo, apontou alguns fatores importantes que contribuem para o grande volume de acidentes: a rede de corrupção para vendas de carteiras de habilitação (CNH) e os valores associados ao automóvel na publicidade - como aventura, liberdade, sucesso, velocidade e emoção - que banalizam a vida e os acidentes e levam à irresponsabilidade no trânsito. "Nós banalizamos os acidentes e as mortes todos os dias. E eu não acredito que há responsabilidade social dessas empresas, desses setores, que estão aqui hoje, inclusive dos órgãos públicos, se não encararem de frente a maneira como nós vendemos automóveis, seguros e uma série de outros produtos, sem valorizar a educação cidadã."

De acordo com especialistas, os principais fatores de risco para os acidentes são: o álcool, o excesso de velocidade, falta de uso dos equipamentos de segurança e más condições de infraestrutura das vias e rodovias.

Além das falas das autoridades e especialistas no trânsito, o evento teve a leitura de um manifesto pela Década de Ações para a Segurança Viária no Brasil.

Sobre o Chega de Acidentes!

O Chega de Acidentes! é um movimento que tem por missão reunir e mobilizar diversos segmentos da sociedade em prol da elaboração e implantação de um Plano Nacional de Segurança Viária, com metas (ambiciosas e factíveis) e prazos de redução de vítimas de acidentes, para obter um trânsito mais seguro no País. O movimento foi criado em 18 de setembro de 2009, e seu comitê organizador é formado pelas entidades: ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), AND (Associação Nacional dos Departamentos de Trânsito), ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), e CESVI BRASIL (Centro de Experimentação e Segurança Viária).

Cenário atual

O Brasil ocupa o quinto lugar no mundo na quantidade total de fatalidades no trânsito, atrás apenas da Índia, China, Estados Unidos e Rússia, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

O Relatório Global da Situação sobre Segurança Viária, de 2009, da OMS, informa que, se continuarem nesse ritmo, as fatalidades passarão do 9º lugar (2004) para o 5º lugar (2030), entre os maiores fatores de mortalidade no mundo, alcançando cerca de 2,4 milhões de mortos ao ano.

Esse quadro será devido, principalmente, ao crescimento dos acidentes em países em desenvolvimento, como a Índia, a China e o Brasil, e nos países pobres. Na faixa etária de 15 a 29 anos, os acidentes de trânsito já são a primeira causa de fatalidades no mundo, à frente da AIDS, tuberculose e da violência.

Fonte.:http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/13558

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